A leptospirose é considerada uma das zoonoses mais preocupantes em todo o mundo. Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde (2006) mostram que, no Brasil, entre 1996 e 2005, foram notificados 33.174 casos de leptospirose.
Apenas os casos mais graves (ictéricos) são, geralmente, diagnosticados e, eventualmente, notificados.
A leptospirose sem icterícia é, freqüentemente, confundida com outras doenças (dengue, ‘gripe’), ou não leva à procura de assistência médica.
Os casos notificados, provavelmente, representam apenas uma pequena parcela (cerca de 10%) do número real de casos no Brasil.
O risco de infecção de leptospirose apresenta como agravante o fato de diferentes espécies de animais silvestres, sinantrópicos (roedores), de produção e de companhia - especialmente o cão poderem servir como reservatórios do agente, possibilitando a manutenção do microrganismo no meio ambiente.
A doença possui alta prevalência em países tropicais e comporta-se como doença ocupacional (plantadores de arroz e cana de açúcar, magarefes, criadores de animais e veterinários), como também recreacional (pessoas que realizam atividades esportivas aquáticas), apresentado um alto risco de contaminação nestes grupos.
Os cães representam o principal reservatório do sorovar canicola para o homem.
Os cães compartilham também com os roedores - principalmente o Rattus norvegicus - o sorovar icterohaemorrhagiae, igualmente patogênico para o cão e para o homem, desenvolvendo nesse último, enfermidade de alta letalidade (doença de Weil).
Assume-se que os cães representam um importante elo na cadeia epidemiológica de transmissão da doença para o homem. A transmissão da leptospirose do cão para o homem ocorre principalmente pelo contato com o sangue ou com a urina de animais doentes ou portadores renais.
O contato de mucosas, de conjuntivas e da pele lesada ou íntegra do homem com o sangue e/ou a urina do cão, são importantes fatores de risco na transmissão da doença.
No Brasil, a leptospirose no homem ocorre geralmente nos períodos do ano com altos índices pluviométricos, sob a forma de casos isolados ou em surtos.
A doença no homem possui clínica variada, podendo manifestar-se sob a forma de sintomas brandos e/ou inespecíficos - febre, cefaléia, vômitos, mal-estar geral, mialgias - simulando “estados gripais”, conjuntivite, petéquias cutâneas e, ocasionalmente, icterícia, ou desencadeando quadros de hepatite, nefrite, meningite e/ou encefalite.
Os esforços no controle da doença devem contemplar ações profiláticas sistemáticas, incluindo a melhoria das condições de habitação, saneamento básico e educação continuada em saúde para populações humanas, assim como o controle de roedores, a vacinação, o isolamento e a terapia de animais doentes, visando minimizar a ocorrência e o risco da doença para o homem e para os animais.