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Diagnóstico

Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico da leptospirose canina deve ser embasado nas informações clínico-epidemiológicas, apoiado nos exames laboratoriais subsidiários. A presença de cães com anorexia, diarréia, vômito, sensibilidade em região abdominal e/ou lombar, com ou sem mucosas e conjuntivas amareladas, devem levar a suspeita clínica da doença.

As alterações hematológicas observadas nos casos de leptospirose usualmente são leucocitose (= 20.000 leucócitos/dl) por neutrofilia e graus variáveis de anemia.

A leucopenia pode ser um achado na fase inicial de infecção (leptospiremia), evoluindo geralmente para leucocitose com desvio a esquerda, com a progressão da doença.

A trombocitopenia faz-se presente geralmente em cães gravemente afetados. Exames de função renal revelam freqüentemente aumento dos níveis séricos de uréia e creatinina e variam segundo o grau de comprometimento renal.

As alterações das enzimas hepáticas alamino aminotransferase (ALT) e fosfatase alcalina (FA), assim como os níveis séricos de bilirrubina, variam com a gravidade da lesão hepática.

As dosagens de uréia, creatinina, ALT, bilirrubina e FA constituem-se nos principais exames de monitoramento da evolução do quadro clínico e, conseqüentemente, do prognóstico de animais com leptospirose.

Na urinálise de cães com leptospirose observa-se geralmente densidade baixa, glicosúria, proteinúria, bilirrubinúria (que normalmente precede a hiperbilirrubinemia), acompanhadas de elevação de cilindros granulosos, leucócitos e eritrócitos no sedimento urinário:

Na fase clínica inicial é possível a pesquisa do agente por microscopia de campo escuro, a partir do exame de gota de sangue, até o quarto dia de infecção, ou de urina, entre a primeira e a segunda semana.

Esse procedimento apresenta limitações em virtude da intermitência de eliminação das leptospiras na urina e da pequena sobrevivência do agente no ambiente externo.

Alternativamente, pode-se realizar o cultivo microbiológico da urina, do sangue e do líquido céfalo-raquidiano, apesar da dificuldade de isolamento do agente nesses humores orgânicos.

Para o isolamento do agente são recomendados os meios seletivos de EMJH (Ellinghausen, McCullough, Johansen, Harris) ou de Fletcher, enriquecidos com antimicrobianos e soro-albumina bovina.


O diagnóstico sorológico para a leptospirose é usualmente realizado. O teste de aglutinação microscópica (MAT) é o método mais amplamente usado para determinar os títulos de anticorpos anti-Leptospira.

A demonstração de um aumento de pelo menos quatro vezes no título do anticorpo de 2 a 4 semanas de intervalo é o método sorológico mais definitivo para diagnosticar a leptospirose.

Em geral, um título alto isolado (maior ou igual a 1:800) é suficiente para um diagnóstico de leptospirose se o histórico do paciente e constatações clínicas e laboratoriais forem compatíveis.

Um título convalescente que não muda a partir da amostra aguda sugere infecção prévia ou inativa. Vários aspectos do teste sorológico de aglutinação microscópica são importantes na execução de um diagnóstico apurado.

A reatividade cruzada contra sorovares múltiplos freqüentemente resulta no título aumentado contra vários sorovares durante a fase aguda da doença. A imunidade contra leptospiras (natural ou estimulada) é sorovar-específica.

Na avaliação sorológica dos animais é importante questionar o histórico vacinal contra leptospirose, pois os cães vacinados podem ter títulos contra os sorovares contidos na vacina. Normalmente, os títulos são negativos ou abaixo de 1:320 e persistem por uns poucos meses após a vacinação.

Entretanto, os títulos de pós-vacinação podem ser altos, tais como 1:1250. Devido à possibilidade de títulos altos pós-vacinação e reação cruzada, tem-se sugerido que somente títulos maiores que 1:3250 devem ser considerados diagnósticos.

Se fizer 3 meses que o cão for vacinado, entretanto, um título de 1:800 a 1:1600 é evidência presumida de infecção leptospiral.

Os títulos de aglutinação microscópica podem ser negativos durante a primeira semana de infecção. Após a infecção e recuperação, os títulos de anticorpos normalmente declinam gradualmente, mas podem persistir por meses. A terapia antibiótica precoce ou a administração de corticosteróide podem inibir títulos convalescentes.

O teste ELISA pode distinguir entre anticorpos IgM e IgG anti-Leptospira. Estes testes podem ser de grande ajuda quando os testes da aglutinação microscópica produzem resultados confusos.

Os cães desenvolvem título elevado de IgM maior que 1:320 na fase aguda da leptospirose. A proporção de anticorpos IgM e IgG na fase convalescente após a imunoestimulação varia dependendo do sorovar.

O ensaio de reação de cadeia polimerase (PCR) do DNA leptospiral é um meio eficaz de diagnóstico antes do desenvolvimento do título do anticorpo ou quando os títulos estão baixos e o curso clínico confuso.

A maioria dos laboratórios veterinários somente oferece o teste de aglutinação microscópica. Poucos tentam a cultura bacteriana das leptospiras. Requisitos especiais para ELISA, técnicas para anticorpos fluorescentes, reação em cadeia de polimerase, ou isolamento das leptospiras das amostras biológicas, podem ser feitas contatando um laboratório de referência


Diagnóstico anatomo-patológico

O exame pos-morten é extremamente valioso no diagnóstico da leptospirose em cães. À necrópsia, observa-se, principalmente, hepatomegalia, degeneração e fibrose hepática, congestão pulmonar, petéquias e sufusões pleurais, úlceras na língua, edema, congestão e necrose renal, hemorragias e aderência de cápsula renal, congestão, edema e hemorragias gastro-intestinais.

Nas infecções pelo sorovar icterohaemorrhagiae pode observar-se pronunciada icterícia de serosas e conjuntivas.

Nesses animais, o diagnóstico histopatológico é realizado principalmente a partir de fragmentos renais ou hepáticos, corados por técnicas de impregnação pela prata (colorações de Gomori, Warthin-Starry ou Levaditti). Após a necrópsia dos animais, os rins e o fígado são os órgãos de eleição para o isolamento do agente.



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